Alemanha
Portugal tem vindo a perder quota de mercado na Alemanha em quase todos os sub-sectores da Fileira Moda. As razões são múltiplas, mas a situação económica de estagnação e posterior recessão até 2004, não é concerteza alheia à forte retracção do consumo. Além de Portugal ter acompanhado esta tendência de diminuição das importações alemãs, também o fraco posicionamento das marcas portuguesas mais relevantes tem que ver com um grande desconhecimento e uma fraca procura por parte do consumidor alemão. Existem, contudo, excepções e casos de sucesso, como acontece com a marca Aerosoles, no calçado, que tem cinco lojas monomarca e uma significativa presença em mais de três mil pontos de venda. As oportunidades no mercado alemão têm de ser entendidas também à luz das grandes tendências do consumo. A feira Bread & Butter - Berlim, inaugurada recentemente, um certame especializado no segmento do street and casual wear, e que se tornou numa das feiras mais emblemáticas do mundo, revela uma maior presença de empresas e estilistas portugueses, o que é sinal de dinamismo e sentido de aposta da indústria portuguesa.
Bélgica
Na Fileira Moda, o vestuário português tem registado descidas que se devem à diminuição das importações globais da Bélgica e ao aumento dos artigos provenientes de países como a China, o Bangladesh, a Indonésia e a Roménia, o que acontece em detrimento de países habitualmente bem posicionados, como a França, a Itália e a Holanda. É necessária, pois, uma campanha agressiva de marcas portuguesas no mercado belga. Em relação ao calçado, é fundamental continuar a apostar na promoção, tanto mais que neste momento a China e o Vietname são os dois principais fornecedores da Bélgica. A promoção deverá ter como objectivo o posicionamento do calçado português em termos de imagem e qualidade.
Brasil
A moda portuguesa não tem uma imagem “firmada” neste mercado. O vestuário masculino de alta gama, em private label, já teve importantes volumes de exportação para o Brasil, tendo no entanto sofrido um forte declínio nos últimos anos. Contudo, este segmento deverá ser explorado como um importante nicho. Nos fios/tecidos, a maior oportunidade está nos produtos sintéticos, dado que existe relativamente a estes uma certa carência local. Também o segmento do calçado, que não possui uma imagem consolidada neste mercado, tem nos sapatos masculinos de alta gama um nicho com potencial que deve ser trabalhado.
Espanha
No que se refere às confecções, Portugal continua a ser o terceiro fornecedor de Espanha, depois da China e da Itália. A Espanha importou, em 2002, um montante de 4.683 milhões de euros em vestuário, dos quais 2.084 milhões de euros foram de Vestuário em Malha e 2.598 milhões de euros correspondem a peças de Vestuário em Tecido. Portugal conserva a sua posição de líder como primeiro fornecedor de Espanha de vestuário de malha, com exportações de 349 milhões de euros e uma quota do 15 por cento sobre o total importado por Espanha. No vestuário confeccionado em tecido, Portugal é o quarto fornecedor de Espanha, com exportações de 279 milhões de euros e uma quota de nove por cento. O líder é a China com (16 por cento), seguido da Itália (13,5 por cento) e de Marrocos (12,8 por cento). A maior parte do vestuário português que é vendido para o mercado espanhol é constituído por produtos sem marca própria e, portanto, resultante da sub-contratação de peças por parte das grandes cadeias e fabricantes espanhóis. No entanto, nos últimos anos, nomeadamente no sector de vestuário infantil e masculino, têm começado a aparecer um conjunto de empresas com projectos para se implantarem no mercado através da diferenciação dos seus produtos, lançando as marcas próprias e até cadeias de lojas, nomeadamente a Red Globe, Peter Murray, Lanidor, Throttelman, Petit Patapon, Quebramar, etc.. Actualmente, já existem em Espanha cerca de cem lojas portuguesas de artigos de moda (confecção e calçado) abertas ao público. É um fenómeno recente de um conjunto de empresas que sentem que têm produto de qualidade e diferenciado que pode ter sucesso vendido directamente ao consumidor final. A nossa estratégia no mercado espanhol tem duas vertentes:
• Apoio às empresas portuguesas que pretendam introduzir ou consolidar as suas marcas próprias no mercado. Neste sentido, continuamos a apostar fortemente na promoção de marcas portuguesas no sector da Moda, através de programas que privilegiem uma maior presença de marcas individuais no mercado, para que a diversidade de marcas em diferentes segmentos contribua para um upgrade da imagem do sector, tanto entre os profissionais como entre os consumidores.
• Apoio às empresas portuguesas que trabalham em subcontratação para médias e grandes cadeias de lojas espanholas, promovendo a sua competência técnica, divulgando a sua especialização, a sua flexibilidade e rapidez na capacidade de resposta. Nesta vertente, é fundamental não esquecer que a esmagadora maioria das nossas exportações para o mercado espanhol são negócios B2B (business-to-business) de produtos sem marca própria e cuja especialização e nível de qualidade tem vindo a crescer. Há milhares de empresas em Portugal que vivem deste tipo de sourcing das grandes empresas de confecção a nível mundial. Portanto, é fundamental que o ICEP as apoie na sua progressiva especialização e melhoria gradual da qualidade dos seus produtos e serviços, e promover a sua competência técnica bem como potenciar fornecedores das grandes cadeias internacionais. Temos que ter presente que os grandes negócios neste sector se fazem ao nível B2B e que, portanto, a promoção das marcas destas empresas pela sua competência técnica é tão importante como a promoção de marcas que vendem ao consumidor final.
Calçado
As vendas de calçado português para o mercado espanhol aumentaram, em 2003, cerca de 38,2 por cento em quantidade e 29,1 por cento em valor relativamente ao ano anterior. Nos últimos quatro anos, as vendas portuguesas para o mercado espanhol aumentaram 227 por cento em valor e 211 por cento em número de pares. A nossa quota no mercado está actualmente em 3,7 por cento em quantidade (3,4 por cento em 2001 e 2,6 por cento em 2000) e 5,7 por cento em valor. As quotas dos principais fornecedores do mercado espanhol são a China (45,7 por cento em quantidade e 24,0 por cento em valor) e a Itália (5,3 por cento em quantidade e 10,4 por cento em valor). As nossas vendas são essencialmente de calçado masculino de média qualidade (casual), muito embora tenham surgido uma dúzia de empresas com produtos de excelente qualidade e que estão a conseguir alcançar um enorme êxito neste mercado e a posicionar as suas marcas na mente dos consumidores espanhóis. As linhas que actuação que propomos para o ano 2005 baseiam-se em:
• Apoio às empresas portuguesas que pretendam introduzir ou consolidar as suas marcas próprias no mercado.
• Apoio às empresas portuguesas que trabalham em subcontratação promovendo a sua competência técnica, divulgando a sua especialização, a sua flexibilidade e rapidez na capacidade de resposta.
EUA
Para o mercado norte-americano de têxteis e vestuário, os países asiáticos são os fornecedores indisputados de produtos de gama baixa e média, a preços com que os países europeus não conseguem competir. A Itália, porém, continua a ser o exportador preferido dos produtos de gama alta. No ano de 2003, os EUA representaram para o sector do vestuário em malha e tecido português um volume de negócio de 70 milhões de dólares. Portugal, devido à sua dimensão e indústria têxtil, pode ser considerado como um abastecedor de produtos gama média e alta, em pequenas séries e quantidades. O sucesso da indústria têxtil e do vestuário nacional nos EUA passa pela divulgação da nossa oferta e aposta em nichos de mercado.
Calçado
Apesar de historicamente a indústria portuguesa de calçado estar focada no mercado europeu, em 2004 o mercado norte-americano representou um volume de exportações nacionais de 70 milhões de dólares. Portugal, bem como os restantes países da UE, enfrentam grandes dificuldades neste mercado quando concorrem directamente com os países do sul da Ásia ao nível dos preços do calçado de gama média e baixa. A Itália, por outro lado, continua a ser o produtor com maior reconhecimento na gama média e alta. A imagem da indústria portuguesa de calçado nos EUA é bastante positiva, existindo potencial e capacidade para prosperar, sobretudo porque a oferta envolve uma forte componente de design/moda e pratica preços competitivos. Embora não seja do conhecimento dos consumidores, muitas marcas norte-americanas subcontratam a fabricação em Portugal. O ICEP tem desenvolvido acções promocionais (inserções publicitárias, editoriais, convite de opinion makers, participação nos maiores certames da especialidade) com o intuito de dar a conhecer a grande qualidade do nosso calçado.
França
Este mercado é decisivo, em termos de posição e imagem, para esta fileira e para todos os seus sectores, quer pelo volume das importações quer pelo factor “vitrina” e multiplicador dos negócios no mercado francês. Portugal é o terceiro fornecedor de calçado em couro, tendo passado as vendas, em 20 anos, de 19,2 milhões para mais de 258 milhões de euros (em 2003), com uma quota de mercado de 12,5 por cento. O produto é de qualidade média, essencialmente para homem e com pouca flexibilidade de produção. Boas oportunidades e visibilidade para o calçado feminino através da cadeia de lojas portuguesa Paleo. No que respeita ao vestuário Portugal detém quotas importantes, sobretudo no Vestuário em Malha, verificando-se uma diminuição progressiva, mas constante na proporção do aumento dos produtos fornecidos pela China e países do Extremo Oriente. A França continua a constituir um mercado “vitrina” para o pronto-a-vestir e para a moda feminina. Quanto a tecidos e confecção Portugal é o décimo fornecedor, mantendo-se estável a quota de mercado em 2003. As feiras Première Vision e associadas dão grande visibilidade a estes produtos.
Irlanda
O consumidor irlandês revela cada vez mais uma preferência pelo calçado de design e qualidade. Contudo, se Portugal é conhecido pela exportação deste produto, não está necessariamente associado, junto do consumidor local, à ideia de produção de calçado de qualidade. Com frequência, o calçado produzido em Portugal não é perceptível pelo consumidor final enquanto produto de origem, não havendo indicação de made in Portugal. Mas Portugal pode ser competitivo nas exportações de calçado para o mercado irlandês se se inverter esta tendência. Para tal, os esforços de promoção deverão incidir junto do consumidor final, a par da promoção junto dos profissionais do sector. No mercado em análise, Portugal encontra-se numa 3ª posição, sendo os seus principais concorrentes a Itália, o Vietname, a China e a Espanha.
ITÁLIA
Sendo o sector do vestuário italiano muito forte, nenhum país entra com facilidade no mercado italiano, que é líder mundial. No entanto, as possibilidades para as empresas portuguesas são relevantes no segmento T-shirt e no CMT, sobretudo na moda homem, assim como no segmento bebé e criança, no qual existem muitas empresas portuguesas de qualidade. No segmento de alta gama, somente algumas empresas de nicho muito bem estruturadas poderão concorrer com as grandes “casas” italianas. Além disso, as empresas portuguesas deverão estar necessariamente presentes nas feiras de sector, sobretudo em Florença e Milão. No vestuário, o problema principal é a relação preço/qualidade, embora as melhores empresas portuguesas não sejam, na generalidade, inferiores em qualidade às melhores empresas italianas. Contudo, sendo a Itália líder também neste sector, as empresas confeccionadoras compram em Itália ou em países que podem assegurar, a um preço baixo, um nível de qualidade aceitável, como é o caso da China, Sudeste Asiático e Europa Oriental. A situação no calçado não é substancialmente diferente da que diz respeito aos sectores têxtil e vestuário, sendo a Itália também líder aqui. Contudo, as empresas portuguesas não têm como objectivo principal a penetração no mercado italiano, utilizando-o antes como “plataforma” nas feiras internacionais de Milão, Bolonha e Riva del Garda.
Holanda
De acordo com as estatísticas holandesas, o calçado constitui a principal exportação para este país. No que diz respeito ao calçado de couro, Portugal detém uma quota de mercado de 11,6 por cento e ocupa a 3ª posição enquanto fornecedor, seguindo-se em primeiro lugar a Itália e em segundo a China. Face à crescente concorrência da China e do Vietname e à concentração do retalho, uma maior proximidade dos clientes (importadores, agentes, etc.) e a aquisição/introdução de marcas próprias, serão determinantes para a manutenção das actuais posições. O Vestuário, em particular o de Malha – T-shirts e camisolas interiores (5,1 por cento de quota de mercado, 6º fornecedor) e camisolas / pullovers (1,9 por cento de quota de mercado, 16º fornecedor) – tem resistido à forte pressão do factor preço graças à qualidade do produto e flexibilidade em matéria de produção. No vestuário em tecido (fatos, casacos, camisas) Portugal tem uma fraca expressão. A impossibilidade de concorrer com base no preço com países como a Turquia, Índia ou Bangladesh requer uma abordagem a nichos de mercado e uma eventual utilização da Holanda como plataforma de distribuição para outros mercados.~
México
Na Fileira Moda tem-se registado um grande crescimento, tendo atingido em Outubro de 2004 os 22,5 mil milhões de dólares. As T-shirts e roupa interior em algodão e malhas correspondem a 12,5 mil milhões de dólares. Em crescimento estão a roupa para homem, senhora e criança. Os sapatos, especialmente para homem, de qualidade podem ter no México um excelente mercado. As potencialidades de crescimento do mercado são enormes, sobretudo a nível das grandes cadeias de department stores. Aí , no entanto, as marcas são uma necessidade que teremos de colmatar.
Reino Unido
Em 2003, Portugal foi o quarto fornecedor de calçado no Reino Unido, com uma quota de mercado de oito por cento, o que representou uma quebra de 1,71 por cento em relação a 2002. O produto mais relevante para Portugal é o calçado de couro, sendo os produtos presentes no mercado de gama média e alta e maioritariamente com a marca do cliente (private label), salvo algumas excepções, o que não permite um reconhecimento por parte do consumidor final. Apesar do Reino Unido ser um mercado em que há uma grande concorrência, existem oportunidades para marcas novas, que reunam um conjunto de atributos que as diferenciem: uma imagem de marca forte, qualidade e design.
O sector do vestuário tem grande peso para Portugal, sendo que as importações de vestuário português para o Reino Unido aumentaram em 2003. Neste quadro, no Vestuário de Malha Portugal detém uma quota de mercado de 4,4 por cento, situando-se como 6º fornecedor. Quanto ao Vestuário em Tecido, Portugal ocupa a posição de 15º fornecedor, com uma quota de 2,05 por cento. A qualidade dos produtos portugueses é reconhecida pelo trade, mas devido à quase ausência de marcas no mercado, o consumidor final desconhece o produto made in Portugal. Tal como no caso do calçado, o mercado britânico oferece um enorme potencial. Existe um forte poder de compra e espaço para marcas novas. Veja-se o exemplo da Zara, que conquistou já uma parcela importante do mercado. Em termos de private label, as oportunidades residem num segmento alto, especializado, acompanhado de um serviço melhorado e mais flexível.
Rússia
Trata-se de um sector em forte crescimento. A gama média-alta tem uma enorme presença no mercado, como resultado da existência de uma classe muito rica, com forte apetência para adquirir produtos de grande qualidade. Neste sentido a aposta deverá incidir neste segmento de mercado.
Suécia/Finlândia
O vestuário e o calçado provenientes de Portugal continuam a ocupar as primeiras posições como fornecedores do mercado, embora em perda de quota a favor de países como China, Vietname e Indonésia. A Turquia começa a aparecer nos países fortemente concorrentes de Portugal. Portugal ocupa o quinto e o terceiro lugar, respectivamente, na Suécia e Finlândia, tanto como fornecedor de calçado como de vestuário. Quanto ao calçado de couro, Portugal tem uma boa relação preço/qualidade, embora tenha registado uma descida considerável. Nos produtos desta fileira as marcas portuguesas não têm qualquer notoriedade.