Taxa de actualização
A determinação desta taxa constitui um factor crítico da política de uma empresa, já que irá condicionar a aceitação ou rejeição de intenções de investimento e, logo, influenciar o seu futuro.
A Taxa de Actualização é também conhecida por custo de oportunidade do capital ou taxa mínima de rendibilidade do projecto. Não é mais do que a rendibilidade que o investidor exige para implementar um projecto de investimento e irá servir para actualizar os cash flows gerados pelo mesmo.
Composição da Taxa de Actualização
A Taxa de Actualização é constituída por três componentes (taxas):
TA = [ ( 1+T1 ) x ( 1+T2 ) x ( 1+T3 ) ] - 1
T1 : [Rendimento real] - corresponde à remuneração real desejada para os capitais próprios (normalmente utiliza-se a taxa de remuneração real de activos sem risco).
T2 : [Prémio de Risco] - consiste no prémio anual de risco. Corresponde à taxa dependente da evolução económica, financeira, global e sectorial do projecto, bem como ao montante total envolvido no projecto.
T3 : [Inflação] - taxa de inflação.
Esta componente apenas fará parte da taxa de actualização quando os cash flows do projecto estiverem calculados a preços correntes, isto é, com a inflação.
Concluindo, a Taxa de Actualização:
deve ser criteriosamente escolhida, de modo a poder corresponder ao mais alto rendimento que se possa conseguir de investimentos alternativos;
- aumenta o grau de credibilidade de que o analista necessita para a sua apreciação do projecto;
- representa, portanto, o valor temporal do dinheiro como custo de oportunidade.
Determinação do valor actual líquido:
O método do cálculo do VAL tem em conta o valor temporal do dinheiro, pelo que é necessário sujeitar os cash flows a um factor de actualização (1 + Taxa de Actualização).
Este critério traduz-se no cálculo do somatório dos cash flows (CFK) anuais, actualizados à Taxa de Actualização (TA):

Um projecto de investimento é constituído por três partes distintas:
Ano de Investimento;
Anos do Projecto;
Ano de Desinvestimento.
O Ano de Investimento corresponde ao ano em que se procede ao investimento necessário para implementar o projecto (Ex.: compra de equipamentos, compra de terrenos e edifícios, etc.).
Os Anos do Projecto correspondem aos anos efectivos de laboração da empresa, ou seja, são os anos em que a empresa apresenta proveitos e custos.
O Ano de Desinvestimento corresponde ao ano de venda da empresa.
Quando um projecto termina, alguns dos bens do investimento realizado (exemplo: edifícios, equipamentos, material de transporte, etc.) mantêm algum valor. Torna-se necessário contabilizá-lo como receita, no fim da vida útil do projecto de investimento. Este valor não é mais do que a empresa irá receber pela venda do seu imobilizado no final de vida útil do projecto.
No caso de não existir valor de mercado para um determinado bem, deverá considerar-se o seu Valor Residual (valor líquido contabilístico).
Valor Residual = Valor de Aquisição - Amortizações Acumuladas
Quando um bem do imobilizado é vendido, origina:
- Uma mais-valia, quando o valor da venda é superior ao valor líquido contabilístico;
- Uma menos-valia, quando o valor da venda é inferior ao valor líquido contabilístico.
As mais-valias e as menos-valias são consideradas, respectivamente, uma receita ou uma despesa do exercício em que se originam, sendo o seu saldo, como tal, tributado normalmente pelo imposto sobre o rendimento.
IRC ± Valias = (Valor de Venda - Valor Residual) x (Taxa de IRC)
Na prática, desinveste-se pelo valor de venda no ano após o fim da sua vida útil e, nesse mesmo ano, determina-se o IRC gerado pela sua mais ou menos valia.
Podemos então definir o método do VAL através da seguinte fórmula:

CFk - Cash Flow do período K (Inclui a componente de investimento, exploração e desinvestimento)
N - Número de anos do projecto de investimento (Inclui a componente de investimento, exploração e desinvestimento)
TA - Taxa de Actualização
Análise do resultado do VAL
VAL > 0 - Estamos perante um projecto economicamente viável, uma vez que o VAL superior a 0 permite cobrir o investimento inicial, bem como a remuneração mínima exigida pelo investidor (TA), e ainda gerar um excedente financeiro.
VAL = 0 - O projecto é economicamente viável, uma vez que permite a completa recuperação do investimento inicial, bem como a obtenção mínima exigida pelos investidores (TA). Podemos concluir que um projecto com um VAL = 0 corre sérios riscos de se tornar inviável.
VAL < 0 - Estamos perante um projecto economicamente inviável.
Quanto maior for o VAL, maior será a probabilidade do projecto ser viável economicamente, já que um VAL positivo significa que as receitas geradas são superiores aos custos.
Influência da Taxa de Actualização no VAL
Quanto maior for a Taxa de Actualização, menor será o VAL, uma vez que estamos a exigir uma maior rendibilidade do projecto de investimento, isto é, estamos a ser mais exigentes na rendibilidade que pretendemos obter com a implementação do projecto de investimento.
O contrário também é verdade, ou seja, quanto menor a Taxa de Actualização maior será o VAL.
Efeito Fiscal das Amortizações no VAL
Existem basicamente três métodos de amortização do imobilizado:
- Método das amortizações constantes;
- Método das amortizações progressivas;
- Método das amortizações regressivas.
As amortizações, sendo consideradas custos não desembolsáveis, permitem uma economia fiscal graças à redução da matéria colectável. Cada método de amortização influenciará de forma diferente o VAL de um mesmo projecto de investimento.
É preferível pagar menos impostos no futuro próximo, embora os impostos dos últimos anos se agravem. Assim, deve amortizar-se tão depressa quanto possível, dentro dos limites impostos pela legislação em vigor.
VAL(Regressivas) > VAL(Constantes) > VAL(Progressivas)
Preços Constantes vs. Preços Correntes
Existem dois métodos fundamentais de valorização das diferentes rubricas dos cash flows previsionais, na avaliação de projectos de investimentos:
a preços constantes (sem inflação);
a preços correntes (com inflação).
Faz-se a avaliação a preços constantes quando se pressupõem que os preços relativos dos bens e serviços vendidos e comprados não variam ao longo da vida do projecto, isto é, todos os preços mantêm-se constantes, não havendo, portanto, influência da taxa de inflação.
A análise a preços constantes é aconselhada quando existe uma taxa de inflação reduzida.
Avalia-se a preços correntes quando se considera a evolução real esperada dos preços de todas as rubricas.
Assim, há que fazer a previsão da inflação em todos os momentos futuros do projecto. A análise a preços correntes é uma tarefa difícil e arriscada.
No entanto, deve avaliar-se a preços correntes quando:
- a taxa de inflação é elevada;
- os preços de algumas rubricas evoluem a taxas diferentes ao longo dos anos.
A avaliação a preços constantes sobreavalia o projecto, tornando o VAL superior ao de um projecto avaliado a preços correntes. Isto deve-se ao facto da avaliação a preços correntes inflacionar todas as rubricas excepto as amortizações.
VAL (Preços constantes) > VAL (Preços correntes)
Autoria: Jorge Caldeira